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COMÉRCIO EXTERIOR: como retomar?
21 - 04 - 2010
Prof. Dr. Nelson Ludovico

Caríssimo leitor, em fevereiro passado, comentamos sobre um tema que volta e meia retorna na mídia e que é sempre enfatizado em palestras e seminários de comércio exterior: o Custo Brasil, que só para lembrar, representa 36,27% em nossas exportações.
Nesta semana, mesmo convivendo com esses custos, o governo divulga estatística que na 3ª semana de abril, a balança comercial apresentou exportações de US$ 3,292 bilhões e importações de US$ 3,400 bilhões, resultando déficit de US$ 108 milhões. Até a 3ª semana de abril, as exportações acumulam US$ 8,003 bilhões e as importações, US$ 7,321 bilhões, com superávit de US$ 682 milhões. No ano, as exportações totalizam US$ 47,232 bilhões e as importações, US$ 45,658 bilhões, com saldo positivo de US$ 1,574 bilhão.
Muito bem, se a retomada gradual está ocorrendo significa que as empresas continuam com seus objetivos de participarem de outros mercados para poderem manter suas produções e ao mesmo tempo continuar acreditando numa mudança no cenário internacional que garantirá crescimento.
Fazendo um exercício de reflexão, em 2009, pelas estatísticas publicadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, do Estado de São Paulo, que contribui com a maior parte das exportações do país, apenas 9.839 empresas participaram sendo que 1.930 exportaram até US$ 1 milhão. O que estaria ocorrendo para que um número maior de empresas do estado não participem efetivamente?
Talvez a resposta fosse porque o mercado interno está aquecido há um bom tempo, mas o que se vê na prática, é que ainda não temos uma política de comércio exterior voltado para o desenvolvimento definitivo (sustentável, parafraseando o governo) e sim apenas retórica, em todos os momentos, de que o governo estuda “medidas” para desburocratizar as exportações das pequenas e médias empresas, que aliás pelo seu montante, serão as únicas que poderão fazer o país crescer e a prova disto é que estamos quase no final de abril/2010 e os tais estudos continuam “em estudos”.
Matérias publicadas na mídia dão conta de que enquanto a China e o Japão cresceram mais de 45% em suas exportações neste ano, pelo nosso lado os exportadores brasileiros “clamam” pela devolução dos créditos tributários à que tem direito retidos na Receita Federal há anos (O Estado S.Paulo 29/3, p.B6), que a Balança Comercial tem o pior resultado em 8 anos (O Estado S.Paulo 02/4, B4) e que o Brasil cai no ranking de produção industrial da 8ª para a 9ª posição (a Índia passou a ocupar nosso lugar), de acordo com estudos da Organização das Nações Unidas-ONU (O Estado de S.Paulo 20/4, caderno de Economia) .Se continuarmos desta forma, precisaremos de um GSP para acharmos o caminho de nossas exportações.
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